O tempo passa, e o movimento do salão diminui. A música, as luzes, as conversas, os romances, o jogo, naturalmente desaparecem. E tão natural quanto, é a aparição de outros vícios. Pessoas locupletavam-se da ausência de outrens para praticar a vergonha decadente do ser humano - felação, cunilíngua, onanismo, sodomia, estupro, rapto, adultério, concubinato, incesto, bestialidade, lenocínio e molície. O ambiente agora é tomado pelo pecado.
Como é triste esse lugar, repudiável. Por que continuar em um lugar desses?
Baal Zabub sai, vai até o seu quarto. Adamantéia ainda está lá. E pela primeira vez ele realmente repara em seu rosto. Os traços leves, e delicados, a pele branca e pálida, o formato da boca que pede sempre por um beijo.
E fica adimirando-a por um tempo.
Esquecer de tudo, zabub anceia.
Deita na cama de colchão de palha. Como é difícil sentir aconchego depois de deixar o lar tantas vezes, há tantos tempos...
Tenta dormir, e distante se faz presente, somente para seus ouvidos, a voz do Oniromante. Voz fria, que se aproxima lentamente. Ele dorme... Ele sonha.
Agora ele consegue entender as palavras, e então, imagens começam a se formar.
Em seus sonhos aparecem àquelas primitivas épocas do Período de Cronos, quando Baal Zabub ainda era um homem simples, quando ainda não havia colhido vícios, quando ainda não era amigo de lupanares nem de tabernas.
Todas aquelas cenas deslizavam-se em sucessiva ordem, e Baal Zabub, as contemplava.
Um rosto familiar... Sim, é ela. E então se foi.
Logo depois apareceram as tabernas, as festas, as noites de vigília, e vieram os lupanares e a orgia.
Baal Zabub, cheio de terrível emoção interna, contempla aquelas antiquíssimas cenas e recorda de seus erros. Está diante das primitivas causas que o haviam conduzido ao seu estado atual.
De repente, surge dentro da cena algo tétrico e horrível. Uma figura sombria, vestido com túnica negra e tendo aros em suas orelhas. Os olhos, semelhante aos de um demônio, projetavam-se para fora em uma atmosfera de profundas trevas. Baal Zabub contemplava-o atônito.
Desperta assustado. Uma verdadeira Revolução, em Baal Zabub, está em atividade.
Baal Zabub revolta-se contra o ódio, contra o egoísmo, contra os vícios, contra a fornicação, contra a ira.
Levante-se e caminha ainda pálido, até o espelho.
Quem é esse rosto que me olha através do espelho e não me reconhece? Quem é esse ser que a cada dia mais se difere de mim?